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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Fora do Tempo - Capítulo 7

  Sim. Sem dúvida alguma, esse cara sou eu. Um pouco acabado, mas sou
eu. Mas.. "Como você chegou aqui?", perguntei. "Você quis dizer: como
você chegou aqui?", e ele riu. Mas, vendo que não fiz o mesmo, logo
parou. "Daqui uns 10 anos, você vai rir dessa piada, não esquenta".
Ah, que legal. Vou estar viajando feito louco por pelo menos mais 10
anos. Tudo o que eu queria, só que não. 'Pois bem, eu não sou
exatamente você. Eu não me encontrei com minha versão 25 anos mais
velha, nem nada disso. Mas, sim, assim como você, eu fiquei na merda.
Quando fiz 40 anos, apareceu um moleque, um gêniozinho científico,
chamado Albert. Sim, o mesmo Albert. E esse cara era um aluno de meu
amigo Chang, na universidade. O melhor aluno. Chang, é claro,
cientista renomado, tinha Albert como seu aprendiz e sucessor. Mas o
chinês escondia algo do garoto. Um projeto secreto, que nem o governo
sabia. Mas eu sim. Uma máquina do tempo estava sendo construída no
subsolo da universidade, sem ninguém notar. Eu, é claro, pedi pra ser
a cobaia, no que fui prontamente atendido pelo meu grande amigo
oriental. Foi então que o garoto descobriu, e sabotou a experiência.
Filho da puta. Mas, não, não vou julgá-lo. Crianças.. E cá estou,
desde então. 15 anos sem voltar pra casa. A máquina foi destruída.
Albert, com seu grande intelecto, e sua sede pelo poder, dominou o
planeta, e seu legado continua até hoje, mais de 500 anos depois.
Alguns dizem que o garoto construiu para si um corpo 'reserva", ao
descobrir que morreria graças à radiação, e que está por aí até hoje,
andando como um robô, mas ninguém nunca o viu. Ah, me perdoe por
tanta informação, meu caro. Eu sei que deve ser complicado, mas nossa
querida amiga Lucy pode esclarecer suas dúvidas futuramente, não é?"
A roxinha, que eu nem lembrava mais que estava ao meu lado, assentiu.
'Mas, antes, creio que precisa dormir, certo? E não se preocupe. Aqui
embaixo, é impossível de se viajar' Certas coisas nunca mudam. Até
minha versão alternativa e velha é um idiota. 'Como sabe?" "Ora
bolas, com a tecnologia deste milênio, foi fácil projetar um..
bloqueador. Não sei bem como dar nome pras coisas, acho que você sabe
disso" É, acho que o meu eu alternativo não é tão idiota assim. Com
certeza, não é um ator. E eu ainda não entendi patavinas do que esse
cara tá falando. 'Mary vai levá-lo ao quarto, jovem Adam. Amanhã,
você terá um dia cheio". Mary, a 'irmã gêmea" de Annie. É, Adam do
futuro alternativo, você se deu bem. Acompanhei a mulher pelo largo
corredor, até que paramos em frente a uma porta, que abriu-se
automaticamente. "É aqui, Adam. Pode entrar. Tenha uma boa noite de
sono" E ela sorriu pra mim. O mesmo sorriso de Annie. Merda, merda,
merda. Tentando tirar ela da cabeça, entrei no quarto e logo me
deitei na cama. Boa cama. Macia. Bom cheiro. Uma cama de verdade. Não
aquilo da prisão. Aliás, nem sei quanto tempo faz desde a última vez
que dormi direito. Ah, não importa. Adormeci. E, pela primeira vez em muito tempo, tive a certeza de que não acordaria com luz nenhuma no meu rosto.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Fora do Tempo - Capítulo 6

  "O quê?!", eu gritei. Pô, mais uma viagem, eu não aguento. O clarão cessou. Finalmente. Tentando entender onde estou, olho para os lados. Uma.. floresta? Que porcaria é essa? "Los Angeles, 2549", Lucy, a menina roxa, disse. Não tive como não rir. "Los Angeles, sério?! Tá brincando comigo.." "Não, Adam. Isso aqui é.. bem, era Los Angeles, até umas décadas atrás, quando o Supremo tomou o poder" Legal, estou numa história em quadrinhos, agora. Supremo. Algum louco com Complexo de Deus, certeza. Acha que pode tudo, dominou o planeta à base da força, acabou com cidades, bláblá.. Não pretendo conhecê-lo. "Para onde vamos, garota?" 'Visitar Supremo" Ah, lindo, isso. Tudo o que eu queria. Caminhamos floresta adentro, por sei lá quanto tempo. Eu estou exausto, precisando dormir imediatamente. Depois da prisão nos anos 60 não tive mais sossego. Que merda. Pedi para acampar com a roxinha. No que, é claro, não fui atendido de forma alguma. O que dá nessa gente? Todos loucos, os anteriores e os posteriores. Meu avô, Albert, a roxinha.. Annie. Annie morreu, depois que me fui. E me culpam, não sei por qual razão. Talvez a tenham matado. Ou, talvez.. Não, Annie não se suicidaria. Ela não era burra. Do nada, Lucy interrompe sua caminhada, vai até uma árvore, e começa a bater nela. Cacete, essa menina usa drogas. "Sai daí', ela disse, me empurrando. Não entendi, até que, de repente, o chão se abriu, e nele, encontrava-se uma longa escada para o subsolo. Tochas nas paredes, e tal. Algo bem Indiana Jones. Mas, espero eu, sem caveiras de cristal. A garota começou a descer as escadas, e fui junto. Andamos por um tempinho, alguns minutos, desta vez. Meus pés agradecem. Um grande portão vigiado por dois caras gigantes com máscaras e lanças. Ops, isso não é legal. Acho que sou a oferenda da noite. Adentramos o portão. E minhas cuecas acabaram de ficar sujas. "FIÉIS, SAÚDEM O SUPREMO!" "Supremo! Supremo!", a multidão que se encontra dentro dos portões grita. Alias, caralho, quanta gente. Parece uma festa na mansão do Robert Downey Jr. Ou na mansão da Playboy. São bem parecidas, as duas. À frente do povo, um altar. No altar, uma espécie de trono muito bizarro, com folhas. No trono, um cara com uma máscara. O Supremo. O mais estranho é que o doido não diz nada. Apenas o guarda à sua direita fala. "Gritem o nome de Supremo! Ajoelhem-se! Tragam o sacrifício!" Nesses dois últimos, temi seriamente pela minha vida. Mas, graças a uma divindade superior qualquer que não aquele carinha ali sentado, continuo vivo. Enquanto a multidão cantava algo que não consegui entender, Lucy começou a me puxar em direção ao altar. Ao chegarmos, ela disse algo que não consegui ouvir, ao guarda. 'Calem-se! O Supremo se retirará. Despeçam-se de seu Deus!" "Supremo!Supremo!', a multidão voltava a gritar. O guarda fez um sinal à roxinha, que me levou para trás do altar. Quase um backstage de um show de rock. O tal carinha da máscara apareceu. E, sem se dirigir à mim ou à roxinha, gritou "Preciso que veja isso, Mary". Quem diabos é Mary? Puta que pariu. Era uma cópia quase perfeita de Annie, se não fossem os cabelos, negros em Mary. E ela sorria da mesma forma. Tentando sair do transe momentâneo, voltei á minha atenção ao tal de Supremo, que agora estendia uma mão em minha direção. "Vamos, aperte, homem. Você não faz ideia do quanto esperei por este momento..." sua voz me é familiar. Ele começou a retirar sua máscara, e pude ver um homem um pouco mais velho que eu, de expressão cansada, cabelos grisalhos. Mas, de certa forma, familiar. Apertei sua mão. "Prazer em finalmente conhecê-lo, senhor Adam campbell. Eu sou, como já deve ter notado..." Adam Campbell. O homem na minha frente é Adam Campbell.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Fora do Tempo - Capítulo 5

  Eu não voltei pra casa. Merda. Não faço ideia de onde estou. É tudo muito diferente. Breu total. Será que tô dentro duma caixa? Como eu vim parar nessa merda? Não, peraí, uma luz acendeu à minha direita. Como eu pude pensar que tava dentro de uma caixa? Idiota. Alguém com uma lanterna. Não conseguia ver, mas tinha alguém. "Ei, imbecil, sai do meio da rua", sussurrou. Eu perguntaria quem essa criatura pensa que é para ousar dizer tal coisa a mim, mas neste momento estou muito ocupado tentando me livrar de uma mão que me puxa. O maldito jogou a luz da lanterna no meu rosto, tô cego. Temporariamente cego. "Que merda é essa?!" "Tô tentando te ajudar, fica quieto" Me ajudar? mas eu não pedi ajuda. Devo ter pensado alto demais "Você tá sendo procurado por assassinato, Adam Campbell" O quê? Aqui também?! A figura tirou a lanterna da minha direção. Virou para o seu próprio rosto, e eu pude enfim ver quem me arrastava. Era uma maldita, na verdade. E, uma maldita... Roxa? "Que porra é essa?!" "Esta 'porra' se chama Lucy, senhor Campbell. E, antes que você pergunte, estamos em 1985" Oitenta e cinco?! Só eu acho que tem alguma coisa errada? "E eu sei que você é um viajante do tempo. Eu também sou. Albert me contou tudo sobre você" Puta que pariu. Puta. Que. Pariu. "Cadê o velho?" "Velho?", ela riu. "Esse 'velho' está ali, na mansão dele" E a roxinha apontou à nossa frente. Caramba, andamos muito, e eu mal notei. Um grandioso portão de ferro e gigantescos muros negros guardavam a mansão do idoso biruta. "E é pra lá que vamos..." Putaquepariu, putaquepariu, putaquepariu "... Quando formos chamados" Ufa "Mas o que tá acontecendo aqui? Você disse que eu estava sendo acusado de asssassinato...' "Sim, da sobrinha dele, anos atrás, no tempo dele. Foi por isso que ele veio pra cá. Se vingar. Matar você" Maldito. Annie morreu e ele me culpa. Maldito maluco. 'Como ele vai se vingar, se isso só vai acontecer daqui 100 anos?" "Eu não sei, quer dizer, você o conhece, o homem é insano. E é por isso que estou aqui, para ajudar você" "Você.. sabia que eu viria?" "Não, claro que não, é impossível saber. Bom, era. Albert descobriu." "Albert veio para 1982, ano de seu nascimento, e dominou o planeta. Assim, você não tem como fugir dele. Ele mudou o seu futuro, Adam. Você não é mais um canastrão de Hollywood, você agora é um fugitivo internacional" Canastrão? Sério? "Você não pode voltar pra casa. Você vai morrer lá" "Mas, não sei se você sabe, roxi.. Lucy, mas eu.." "Sim, eu sei que você não controla. Mas eu posso te ensinar. De onde eu venho, isso é a coisa mais comum do mundo. E, sim, eu sou roxa. Você é racista?" "Ãh.. Não, não, é só que, de onde eu venho.." Lucy ria. Ficou claro que ela tava me zoando. Se ela não fosse mulher, e já não tivesse essa cor, teria deixado o olho dela roxo. "Dane-se. Então, garota roxa, para onde vamos, se não vamos confrontar o pirado agora?" "Vamos pra casa. Minha casa" O quê?! Mais um daqueles clarões. Malditos clarões.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Fora do Tempo - Capítulo 4

  Ah... eu já falei que odeio esse lugar? Não sou do tipo que se adapta facilmente à celas. Não, não mesmo. Odeio isso. Ter sido acusado de ter matado aquela mulher.. Por quê acham que fui eu? Ah, claro, o sangue na minha roupa.. Peraí, de onde veio isso? Ah, dane-se. Tenho ainda um bom tempo pra descobrir, já que estou preso aqui. Mas, onde é que eu estava mesmo? Ah, sim.. Minha primeira viagem. Chegada no futuro, é. Agora lembrei. Peguei carona com a loirinha na moto dela. Annie, seu nome. Gente boa. Por sorte, completamente pirada. Acreditou que eu era um viajante do passado. Ou, vai ver, viajantes do tempo surgindo do nada é normal, em 2085. Fiquei dois meses lá. Nesse tempo, descobri o que aconteeu com o velho Chang. Morreu. Numa fábrica abandonada. Naquela fábrica abandonada. O 'Homem que deu o primeiro passo às viagens temporais" foi baleado num atentado terrorista. Máfia Russa. E nenhuma menção a mim, nos registros da história da humanidade. Minto. Houve sim, uma menção a mim. Jornal local, em 13 de janeiro de 2005, uma semana depois do dia em que entrei naquela máquina. "Ator desempregado desaparece. A polícia suspeita que o desaparecido teria dívidas com traficantes, e que está na busca pelo corpo" É, eu morri. Morri como viciado em drogas. É claro que mudei essa situação assim que voltei, mas isso não interessa agora. E, antes que alguém pergunte, não, eu não voltei para meu tempo em um carro voador equipado com um capacitor de fluxo, mas, ainda não é a hora de dizer como foi. O futuro até que é bacaninha. Como eu já disse antes, parece com aquele desenho animado. Carros voando, robôs e tal. Ah, sim. Annie cuidava de um museu. Museu que possuía réplicas... de tudo aquilo que eu usava no meu tempo. Bizarro. Celulares, computadores, televisão, DVD.. Tudo aquilo era chamado de 'velharia". Inclusive, havia ali uma réplica da máquina de meu querido amigo asiático. Filho da puta. Eu preferia ter morrido. Meu nome poderia estar nos livros de história, também. O problema daquela máquina ser uma réplica era que ela não funcionava. Então, como eu voltei? Ah, agora sim, eu digo. Um tio de Annie, Albert, era o que nós chamamos de "cientista louco", mas, que, em 2085, é conhecido como "um cara importante". Prosseguindo, Albert era dono de uma empresa de medicamentos. Fabricava pílulas, essas coisas. E, é claro, pra ter conseguido se tornar um dos homens mais ricos do mundo... também atuava no submundo. É, até no futuro tem isso. Um dia, Annie me levou para conhecê-lo. E o homem era realmente louco. Ficou fascinado quando me viu. 'Um homem do passado!", gritou, abismado. O velho me contou que estava fabricando "pílulas de transporte modificadas'. Tinha algo a ver com o meio de transporte da época. Você toma o comprimido e, num piscar de olhos, chega no lugar que quer. Mas as de Albert faziam algo mais. Elas deslocavam a pessoa no tempo, não apenas no espaço. Me disseram para manter aquilo em segredo, e, foi o que eu obviamente fiz. Segundo eles, essa questão de viagem no tempo não era muito fácil, devido aos registros de assassinatos com quem se metia nisso. Mundo louco, pessoas obcecadas por viajar no tempo. Será que o futuro é tão merda assim, pra fazer toda aquela gente querer sair dali? Mas não fiquei pra descobrir. Eu precisava voltar. E foi então que eu... Invadi o laboratório subterrâneo e roubei alguns comprimidos. Mentira, eu não ia fazer isso. Não com o tio de Annie. Contei a ela que precisava voltar para o meu tempo, e foi assim que Annie foi até seu tio, pedir uns comprimidos para mim. 'Tem certeza, Adam?" "Sim, eu preciso voltar. Você.. pode vir comigo, se quiser" "Não.. Não posso deixar tudo isso aqui. Tome, pegue um comprimido" Peguei 5. "Cuidado, ainda está em fases de testes. Tome cuidado com os efeitos colaterais" Ela me abraçou. Eu sabia que iria sentir falta dela, mas precisava voltar. Engoli os 5 comprimidos de uma só vez. "Não, Adam, era pra tomar apenas..." Tarde demais. Não consegui escutar mais nada, ver mais nada. Estava voltando ao passado. Aconteceu o mesmo que está acontecendo agora. O mesmo clarão. Provavelmente, estou voltando para o meu tempo, agora. De qualquer forma, adeus, anos 60.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Fora do Tempo - Capítulo 3

  Esse meu tornozelo tá uma merda. Não consigo nem mais ficar em pé, direito. Estou há dois dias nessa cela maldita, não aguento mais esse lugar. E ainda não descobri onde diabos machuquei minha perna. Ah, chinês desgraçado. Chang alguma coisa, sei lá, o nome dele. Do cara que me causou isso, essas viagens temporais desreguladas. E pensar que eu poderia ter dado conta dele nos tempos de colégio. Não estaria nessa situação. Mas eu sempre gostei dessas coisas de ciência, um pouco. E sempre fui um idiota. Eu estava no início de minha carreira, e como qualquer um em início de carreira, não apareciam muitas oportunidades pra mim. Figuração aqui, figuração ali, cadáver na série de investigação policial, et cetera. E, num dia, eu reencontrei Chang, e ele me contou o que estava fazendo. "Eu acho que consegui montar a máquina do tempo, Adam", ele disse. Disse também, é claro, que ganharia muito dinheiro com isso, se provasse que funcionava. E o que eu fiz? É óbvio, me ofereci como cobaia. Tava precisando comer, oras. E deu no que deu. Combinamos de testar a máquina, na noite anterior à demonstração pra imprensa. E lá fui eu, este grande imbecil, para uma fábrica abandonada, no meio do nada, numa noite de tempestade. Eu devia ter desconfiado que ia dar merda. Tempestade, noite e imensos lugares abandonados não formam um trio bacana. Mas fui lá, invadi a fábrica. E, lá dentro, estava ela... A merda da máquina do tempo, que mais parecia um computador da idade da pedra. Puta que pariu, Chang. A máquina era enorme, fazia um barulho ensurdecedor, a quantidade de fumaça que saía era imensa. "Tem certeza que essa merda vai funcionar, China?" "Calma, cara, essa é a primeira versão. A que vamos mostrar está na universidade" "Ah, que beleza. Como você vai testar uma máquina diferente, animal?!" "Só o visual é diferente, Adam. Todo o material é o mesmo, eu tinha de sobra" "Ah, que bom.. Mas, que material é esse? Quem financiou a pesquisa?" "Eu não posso dizer" "Ah, eu que vou ser a cobaia, e não posso saber onde eu estou me metendo?" "É, isso mesmo. Agora.." Estrondos. Estavam arrombando a fábrica. Gritos, correria, e, em poucos minutos, apareceram diante de nós alguns homens armados. Chang, tão horrorizado quanto eu, me empurrou pra dentro da máquina. Filho da puta. O treco começou a sacudir, a exalar um cheiro horroroso, enquanto eu ouvia gritos do lado de fora. Fechei os olhos, com medo, enquanto a máquina ainda balançava. 3 tiros. E eu abri os olhos. Me vi caído, numa situação semelhante à que passei aqui, quando cheguei aos anos 60, agora parando pra comparar. Mas a rua não tinha aspecto antigo. Muito pelo contrário. Olhei para os dois lados, e, em ambos, o mesmo aspecto futurista, daqueles que vemos naquele desenho animado, Os Jetsons. Quando eu me preparava pra sentar, passou por cima de mim algo muito rápido. Sentei-me, apesar de assustado, olhando pra frente. Ali, diante de mim, uma mulher loira, bonita, se vale a observação, em pé em algo que flutuava, que depois entendi ser uma moto. "Vai uma carona aí?", a loira perguntou, rindo. Definitivamente, eu estava no lugar errado. No tempo errado. Eu estava no futuro.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Fora do Tempo - Capítulo 2

(OBS) : Sim, esse vai ser o nome (provisório) da história iniciada na semana passada. Agora, toda semana, o post com o capítulo novo virá com esse nome. Boa leitura

   Sim, de novo sim. Ah, merda. Mais uma vez Adam Campbell viaja, sem querer, no tempo. Odeio quando isso acontece. Até foi divertido nas primeiras vezes, eu até recebia algo em troca, mas, agora, nada. Parece que é uma simples.. diversão do destino, sei lá. Agora só me resta esperar, até a hora de voltar. Eu sempre volto. Mas, quando não sei o tempo exato, é melhor conhecer o lugar, conhecer as pessoas, tentar me acostumar. Da última vez, passei duas semanas num navio pirata. Voltei pro meu tempo no exato momento em que eu começava a andar na prancha, depois de ter reclamado com o capitão sobre a falta de limpeza daquele lugar. Mas, caramba, aquilo era uma pocilga mesmo, não pude ficar quieto. Acho que vou começar com a garçonete bonitinha. Apesar dela não me conhecer, e de estar com seus 60 anos no meu tempo, pode ser uma boa coisa. Ela se aproxima do balcão novamente, para limpar a sujeira que eu fiz com o café. É agora. "Ei, oi.. ãh.. que hor.." Um estrondo, a porta escancarada. Entram dois homens mal humorados, com chapéus, casacões, e bloquinhos na mão. "Ei, você, bonitão, levanta" Puta que pariu. Sabia que isso ia acontecer. Detetives. Me procurando. Claro. Algum daqueles tantos que passaram por mim deve ter corrido pra delegacia mais próxima, gritando "Tem um cara com roupas estranhas na rua!" Porra, nessa época não existia Armani? Me levantei, calmamente, e me dirigi aos detetives "Oh, oi.. pois não?" "Nos acompanhe até a delegacia, lá conversamos" "Mas, com todo respeito, caro detetive... que crime o senhor acha que cometi?" "Assassinato, garoto. Vamos" E, assim, lá estava eu, 5 minutos depois, sentado no banco de trás de um carro da polícia, sendo levado à delegacia. Ótimo. Não, maravilhoso. Ao chegarmos, fui jogado numa salinha escura, onde só tinham duas cadeiras, uma mesinha, e uma lâmpada prestes a apagar. Já fiz esse tipo de cena umas 3 ou 4 vezes, agora que paro pra pensar. Estranho. É claro, sentei-me em uma das cadeiras. Fiquei sozinho pelo que deve ter sido uma meia hora, até que um daqueles dois homens carrancudos adentrou a salinha, sentando-se à minha frente. "Quem é você?" "Adam Campbell", respondi calmamente. "Campbell, hein? Curioso.. Jim Campbell, só para que você não reclame depois", o homem estendeu a mão. Aquele joguinho de "bom tira, mau tira". Clássico. E, aquele homem, é meu avô. E o velho já estava velho, com seus 50 anos, por aí. Meu pai devia ser um adolescente retardado qualquer, nessa época. Apertei a mão de meu avô, e ele voltou a falar. "Pois bem, senhor Campbell... Onde o senhor estava há duas noites?" Se eu te contasse que estava na premiére de meu novo filme em Londres, o senhor não acreditaria. Então.. "Eu.. estava em minha casa, Jimmy, junto de minha esposa, dormindo, provavelmente" Ele sacou que era mentira, na hora. Claro, nunca tive um sério relacionamento, é difícil fingir ter um, assim. E, também, ele não gostou de eu tê-lo chamado de Jimmy, certeza. "Senhor Campbell.. eu vou perguntar mais uma vez, e quero que o senhor diga a verdade, está bem? Onde o senhor estava há duas noites, quando essa moça aqui, segundo nossas investigações, foi encontrada morta?" E ele me mostrou algo que eu não queria ver. Uma foto, uma mulher nua, desfigurada, banhada em sangue. Quis vomitar. Perdi a fala, simplesmente. E, é claro, isso foi interpretado da maneira mais errada possível. E, assim, lá estava eu, 5 minutos depois, sendo trancado em uma minúscula cela, imunda, com uma cama da metade do meu tamanho, e uma bacia fedida, cheia de um líquido amarelo, por um crime que não cometi. Isso que dá, aceitar ser cobaia dum cientistazinho de merda, que dizia ser o criador de uma máquina do tempo. E agora estou aqui, móvel no tempo, deslocado, não sei qual é mais o meu lugar. Simplesmente não sei mais. Tenho medo de adormecer e, no dia seguinte, acordar no meio de uma batalha entre bárbaros vikings, ou, sei lá, dentro de um campo de concentração da Segunda Guerra. Repentinamente, a dor em meu tornozelo volta. Engraçado, tinha esquecido dela.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Fora do Eixo - Um novo caminho

  Fala, galera, hoje, na Fora do Eixo, eu vou falar sobre.. Bom, não tenho um tema. Na verdade, vou começar a contar a vocês uma pequena história, de minha autoria. Conto com o feedback de vocês. Sugestões do que posso melhorar, opiniões, sugestões sobre o nome, também, inclusive (sou péssimo pra isso). Bom, tá aí:

  Manhã. Ou talvez seja início de tarde, não sei. Não tenho relógio. E nem sei que lugar é esse. Mas, está sol, está um belo dia. Sortudas, essas pessoas à minha volta.. aliás, quem são elas? O que eu estou fazendo aqui, deitado no meio de uma rua movimentada? Tem um carro buzinando incessantemente. Acho melhor sair do meio da rua. Esse carro.. bonito, de um azul brilhante. Estilo antigo, dos anos 60, mas parece bem novo, pra mim. Deve ser um "retrô' dessas empresas de automóveis. Impressionante. Fazem tudo pra ganhar dinheiro. Até reviver os clássicos, já que as novidades não estão vendendo tanto. Começo a caminhar pela calçada, com certa dificuldade, já que meu tornozelo direito está doendo. Doendo muito. Passo entre um mar de gente... E todos me olham, curiosos. Alguns riem. Umas criancinhas me olham assustadas. O quê tem demais num cara com terno Armani? Será que bebi demais ontem à noite e me deixaram com cara de palhaço? Não, não, tentei arrancar qualquer possível tinta do rosto, mas, só o que quase consegui arrancar foi um olho. Não me pergunte, Não me pergunte. Começo a prestar mais atenção nas pessoas ao meu redor. Suas vestimentas são esquisitas, aparência antiga.. condiz com à daquele carro de antes, pensando melhor. Será que hoje tem alguma feira temática na cidade e eu não sabia? Ou eu não lembro, por conta da bebida? Bom.. depois eu descubro. Vejo uma lanchonete á minha frente. Temática, claro. Bem feitinha. Idêntica à uma da época.. pelo menos é o que suponho, por ter visto fotos, da época de meu pai. sento no banquinho e peço um café à jovem atendente. Pequena, magra, morena, bonita. Talvez eu peça seu telefone depois. Ninguém resiste a um ator hollywoodiano. Falando nisso.. Estranho, até agora não apareceu nenhuma horda implorando por autógrafos. Curioso, curioso. Aguardo por uns 5 minutos e a jovem retorna, com o café. Mas foi uma má ideia, começar a tomá-lo. Isso porque logo depois o cuspi, ao ouvir um jovem perguntar a outro 'ouviu aquela nova música dos caras ingleses? dos.. Beatles, é, Beatles. she Loves You, acho que é esse o nome da música.." Essa feira tava indo longe demais. Muito longe. E, aí, pra piorar minha situação.. O homem que estava ao meu lado lia um jornal qualquer, e eu pude ver a data. 20 de outubro de 1963. E aí percebi que não estava numa feira, mas sim... Ah, não, de novo, não...

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